Cogitum

Sexta-feira, Março 05, 2010

Atenção senhores: Aqui está um belo cadáver

Segunda-feira, Dezembro 19, 2005

Passam os dias

Sente-se "A Selva" na transversalidade do eixo Política-Natal:

Wilfredo Lam, 1943

Quarta-feira, Julho 20, 2005

Água



Papel. Os portugueses receberão papel. Dirão: poupem água! Será este Verão. Disse o Ministro do Ambiente, Humberto Rosa. Mas chama-lhe postais.
Para a produção de papel, água é pedida. Para a sua reciclagem também – e o papel gasto nesta iniciativa não será todo reciclado, tal como não o é o "papel diário".
Quando a Internet e as iniciativas on-line estão em proliferação – hoje – não se percebe. Castigar mais a Natureza – cortar-lhe pinheiros e eucaliptos e… água – porquê?
Uma outra quase-questão: se as estações de tratamento de água estivessem a funcionar, não poderíamos utilizar a água num quase-à-vontade? É que estas funcionam num regime de há-quase-vontade.

A notícia encontrei-a aqui.

TGV ou não TGV?




Artigos sobre o TGV

Publico.pt: dossier;
Diário de Notícias: Insustentável (Francisco Sarsfield Cabral - opinião); Os dois grandes projectos para o século XXI;
Jornal de Negócios: Aeroporto da OTA e TGV são investimentos prioritários;
O Primeiro de Janeiro: Espanha ignora ligação do TGV a Portugal.

Segunda-feira, Julho 18, 2005

Quase-carta (ao PM)

Temos medidas novas para fazer crescer, brotar das nossas terras coisas boas, de comer? Aquelas que custam pouco quando o terreno é adequado. Não o trigo nas regiões de Évora, Portalegre e Beja. De novo. Esse não!

Sei que a indústria é importante. Disseram-me uma vez. Depois, quando repetiram, disseram a mesma coisa. Já me haviam explicado. Não percebi porque voltaram à dissertação. Outra vez.
Mas, do que à primeira consegui apreender, a indústria é amiga do capitalismo e do imperialismo. E estes acreditam numa “mão invisível”. A indústria, capitalmente, pode auto-regular-se. Mas a agricultura não consegue. Muito bem…

A agricultura, a base, não tem conhecimento sequer que uma mão que não se vê os pode ajudar. E os senhores que sobem às carroças e aos palcos de madeira dizendo que podem acudir – e que por isso lutam –, na realidade, não ajudam muito.
Eu não sei se é o milho ou o açúcar, a maçã ou o algodão, que melhor serviria os campos portugueses. Mas há pessoas que sabem. Eu já (ou)vi! Eles explicam muitas coisas desordenada e incoerentemente, mas no final dizem sempre maçãs, ou açúcar, ou algodão, ou milho.

As mãos dos meninos do campo não são “qualificadas”. Nem poderiam ser: ninguém as qualifica! As tecnologias – E pá! Gosto bem dos computadores e da Internet e das coisas que de lá saem, penetrando-me com a imaginação fantástica e a realidade bonita e por isso dura, olhos adentro – de nada servem. Os processos rudimentares continuam a ser os predilectos: ninguém os qualifica! E os “qualificadores”? Também ninguém os qualifica!
Não há vontade? O saber, a gnose, está fora de moda? Se o adquirem é porque “tem que ser”? Mas não será a culpa de quem os educa? Formação, cultura, educação. E… “é de pequenino que se torce o pepino”.

Um dia quero ter cabelos brancos. E ser grande. E dizer às coisas o que fazer, para onde ir. E as coisas a fazer, a ir.
Não as verei fazer, ir. Porque, como serei grande e as coisas vão continuar pequeninas, será complicado ver nitidamente do alto, onde estão os meus olhos, para o chão. Tentarei. Mas será complicado. Bem, terei que me baixar.

Domingo, Julho 17, 2005

Neto de Sigmund Freud

Lucian Freud é o pintor vivo mais caro do mundo, diz hoje A Capital.

Sexta-feira, Julho 15, 2005

II Encontro de Weblogs


Sexta-feira, Julho 01, 2005

Coisas de Portugal

O cego social Imposto de Valor Acrescentado aumenta de 19 para 21 por cada cento. Hoje.

Arte vs Mercado

A produção artística é uma actividade essencialmente individualista, introspectiva, que deveria estar independente do mercado. Deveria, mas não o é. Já o foi talvez. O conceito de arte está adulterado. Mas verdadeira arte nunca deixou de existir. Nós sabemo-lo. Precisamos procurá-la.

Quinta-feira, Junho 30, 2005

Primeiro Amor

gostava muito dele
mas nunca lhe disse isso
porque a minha criada tinha-me avisado
se gostar de um rapaz
nunca lhe diga que gosta dele
se diz
ele faz pouco de si para sempre
os rapazes são maus
eu não era bela
nem sabia quem tinha pintado os Pestíferos de Java
resolvi assim escrever-lhe cartas anónimas
escrevia o rascunho num caderno pautado
não sei hoje o que escrevia
mas sei que nunca escrevi
gosto muito de ti
e depois pedia a uma rapariga muito bonita
que passasse as cartas a limpo
eu acreditava que quem tinha uns cabelos
assim loiros e a pele fina
devia ter uma letra muito melhor que a minha
agora que conto isto
vejo que deixo muitas coisas de fora
por exemplo que o meu primeiro amor
não foi este mas o Paulo
o irmão da rapariga bonita


Adília Lopes

Quarta-feira, Junho 22, 2005

Noite estrelada...


* Pintura de Van Gogh: A noite estrelada


Boa noite.

Sábado, Junho 18, 2005

Reinvenção? Plágio?

Sob o título Produções fictícias: breve história do plágio, encontrei n' A Capital este interessante artigo.

Apenas pode ser lido integralmente na edição impressa do jornal. Mas essa é discussão sob outro título - jornalismo digital, ou jornalismo digital em Portugal. Fica para uma próxima.

Sexta-feira, Junho 17, 2005

Sonhar

Sempre que um homem sonha
O mundo pula e avança
Como uma bola colorida
Entre as mãos de uma criança.

Pedra Filosofal, António Gedeão.


Queria partilhar...

Segunda-feira, Junho 13, 2005

Serão Palavras, por Eugénio de Andrade (1923 - 2005)

Diremos prado bosque
primavera,
e tudo o que dissermos
é só para dizermos
que fomos jovens

Diremos mãe amor
um barco,
e só diremos
que nada há
para levar ao coração

Diremos terra mar
ou madressilva,
mas sem música no sangue
serão palavras só,
e só palavras, o que diremos.


in “Mar de Setembro” (1961)

Quinta-feira, Maio 26, 2005

"Os estudantes podem ser considerados "trabalhadores" que têm a importante tarefa de produzir o capital humano [conhecimento e habilidades adquiridas pelos trabalhadores através do ensino, do treinamento e da experiência] que será utilizado na produção futura."


Mankiw, N. Gregory. Introdução à Economia - Princípios de Micro e Macroeconomia. Editora Campus, Rio de Janeiro

Segunda-feira, Maio 02, 2005

Pode ser (mania da) perseguição

O cabelo não é cortado há já alguns meses. A barba tem mais meses ainda. Mas, e em favor da verdade, diga-se que na última semana tenho adquirido o hábito de os pentear. Tomei banho hoje. Assim como em todos os dias que o precederam – o hoje. Em favor da verdade: pode ter escapado um ou outro dia, em que as pipocas, as tostas mistas, a televisão, um livro e uma boa música tenham preenchido a agenda de um dia inteiro – caseira. Os anos são os belos anos vinte – não os do século passado: (l)a famigerada belle époque, mas aqueles em que as borbulhas deixam a assiduidade dos teen years para passarem a sazonais, ou de frequência mais incerta.
Estudante universitário. Ensonado mas contente: o mundo inteiro é diferente nas manhãs em que a vontade de viver e fazer coisas é grande, ou simplesmente existe: “Faço as compras e ainda vou a casa fazer um artigo antes do almoço. Quiçá, um outro. Mais logo.”. Aliás, quando se tem a noção do dever cumprido – na aula não marquei a ausência: a marca da minha presença ficou na cadeira quente –, no qual se aprende algo, a vontade não é a de descansar mas a de fazer mais e aprender coisas, e olhar e ler e escrever e ajudar o senhor que estava a fazer um grande esforço para colocar o seu pack de 6 numa saca plástica – que o conseguiu sem ajuda mas com a língua de fora, a apoiar.
Compras quase feitas: falta pagar. A fila é curta, a espera também. Rapidamente se ouve o “Bom dia.”. Bom dia – e diga-se que o sorriso neste “Bom dia”, este último, é necessário, que Pi–Pi–Pi–Pi–Pi–Pi não é um trabalho agradável, e percebe-se, por vezes, o não-sorriso, no primeiro. De qualquer forma:
– Bom dia!
Pi–Pi–Pi–Pi–Pi–Pi…
– São catorze euros e oitenta e dois, por favor.
Ouvi:
– São catorze euros e quarenta e dois, por favor.
E pensei:
– Então, toma lá catorze euros e cinquenta, que ainda tenho troco – a pensar não temos que ser educados nas palavras, cuidadosamente empregues perante as pessoas que não conhecemos, por isso a segunda pessoa do singular.
Acompanhei este pensamento com um sorriso, estou certo.
Não me perceberam: a senhora da caixa repetiu os euros e os cêntimos que eu tinha a pagar. Com voz (e pior! olhar…) autoritária. E então sorriu para o senhor que esperava pacientemente atrás de mim, dizendo que não com a cabeça. Fiquei envergonhado. Mas depois a razão acudiu: fiquei zangado! Paguei. E ainda me obriguei a um obrigado e um sorriso. Não estava a ser de todo hipócrita, e por isso, não me percebi.
Lembrei-me que a caminho das compras, no centro comercial, havia decidido descer de elevador. À sua espera estava já uma mãe. Com ela, um bebé. E o bebé sentava-se num carrinho, que a mãe empurrava. Pareciam um círculo. Como esta realidade era a três dimensões pensei numa bola.
O elevador chegou. Nele, só nós – três. Reparei que a mãe hesitou um pouco antes de entrar naquele elevador vazio de pessoas que não eu. O bebé nem me olhou – não percebi se se ocupava com os seus sono e sonhos, ou se a jogava às escondidas com o seu boneco. Fiquei parado: sem movimentos bruscos, mãos visíveis e imóveis, quase sem respirar, sempre a olhar para a porta ou para o chão – não me apaixonei por nenhum dos dois. Chegámos. Saí. Sem olhar para trás. Percebi o medo porque percebo os tempos.

Há semanas, numa outra grande superfície comercial, na mesma a comprar daquelas coisas que se comem, ou bebem, aquelas coisas para viver, pararam-me. Era um segurança. A minha cara aparvalhou-se. Ouvi o que ele tinha para me dizer. E dizia – ele – que precisava acompanhá-lo à recepção onde eu teria de deixar o meu saco (ou mochila – aquelas coisas que servem de mochila, mas só têm uma alça).
No caminho apercebi-me que a todas as senhoras eram permitidas as suas bolsas. Que pessoas – pequenas, grandes – abriam os plásticos, comiam coisas que nunca pagariam. Disseram-me uma vez os «entendidos», que sabiam exactamente quais as caixas cujos alarmes não estavam a funcionar, e pelas quais podiam trazer «mais coisas cá para fora».

Do primeiro centro comercial que mencionei, recordo que está sempre numa das suas portas um senhor. E esse senhor diz:
– Vou contar-te a verdade: eu ando na branca. Arranja-me aí 5 euros, que eu sei que tens.

Quarta-feira, Abril 06, 2005

Racismo

Pela primeira vez (acho) em quatro anos de TvCabo vi um filme exibido no Canal Hollywood até ao fim. É certo que há uma grande dose de mérito que deve ser atribuida à porcaria da Insónia das 3 da manhã, mas respeito e muito atenção merece o filme. Chama-se Higher Learning (1994) e despe sem pudor a dura realidade social de uma Universidade norte-americana em plenos anos noventa. Especial relevo para a questão racial: é-nos apresentada uma sociedade completamente racista, onde os negros são alvo de um inadmissível tratamento-abaixo-de-cão por um movimento de estudantes neo-nazi. Na tela é revoltante e inacreditável, dá vontade de espancar as filhas da puta de seres que julgam as suas raças supriores (rasgar manuais de Hitler, censurar para limitar perversões tão animalescas), mas depois (mesmo nesta realidade portuguesa) basta olhar para o lado, num jogo de futebol, na paragem de autocarro e sente-se exactamente a mesma rejeição, camuflada por um olhar ainda mais mergulhado no nojo.
Pronto, ficam os riscos desta realidade para reflexão e recomenda-se o filme.

P.S. De registar é também a extraordinária interpretação de Omar Epps no mesmo filme.